, Acordei.
Como acordo, desde sempre, naturalmente ensonada e despenteada como qualquer outra pessoa. Mas desta vez foi diferente. Esfreguei os olhos e senti um vazio. Uma sensação complicada de explicar. Encaixei-me num puzzle, como se fosse tal e qual um, senti que tinha perdido as minhas peças. Talvez me as tivessem roubado. Talvez as tivesse deixado perdidas. Talvez me tivesse esquecido delas. Não, isso não. Talvez tivessem sido elas a deixar-me, de livre vontade, por capricho, manipulação ou, até talvez, por intriga.
O motivo ao certo já não me interessa, passei à conclusão e ao juízo final. Estou sem elas. E seriam necessárias? Não. Sinto um vazio, mas bastante mais aliviada. Posso dizer, equilibrada.
Tudo tem uma razão verdadeira, sólida e equilibrada. Quando não é equilibrada, quebra.
Bati com a cabeça na parede, e perguntei-me porquê, de um momento para o outro. Perguntei-me onde falhei. Perguntei-me se tinham e têm razões para me julgar. Perguntei-me como. Depois de tanta tortura e voltas à minha cabeça, encontrei respostas.
Porque não era equilibrado, não era saudável. Penso que não falhei, ou não falhei no assunto em que me julgam. Não têm razões para me julgar. Como, não sei bem ao certo, penso que seja por assuntos indesejáveis e terceiros, talvez a quem tenha que agradecer.
Depois de tudo. Pensei e relembrei de novo. Não havia equilíbrio. É tudo tão natural, que não é necessário fazer muito. Quando não é bom, estoira. Magoa, mas a ferida sara. Doí, deprime. Mas nada é para sempre. E há sempre mais, muito mais.